Reporta-se ao ano de 1947 a celebração dos primeiros cultos da Assembleia de Deus em Viamão, em trabalho coordenado pelo ministério da Igreja em Porto Alegre. As primeiras ações de evangelismo consistiam na farta distribuição de folhetos e na celebração de cultos ao ar livre e na casa de simpatizantes. Ainda naquele ano o pastor Ari Gutterres Pacheco, pioneiro do Evangelho no município, iniciou um ponto de pregação na parte da frente de sua casa, localizada no bairro Passo do Vigário.

Naquela época, muitas vezes, estacionava-se um caminhão, colocava-se o coral em cima, e ali se pregava o Evangelho. Em locais como a Estrada da Branquinha, Espigão, Passo da Batalha e em muitas outras vilas de Viamão, o trabalho evangelístico se iniciou desta forma, relata-nos o pastor Orides Mendes de Souza, outro pioneiro das Boas Novas em Viamão.

À medida que a semente da Palavra era anunciada, as pessoas aceitavam Jesus como Salvador. Por vez toda uma família se convertia e oferecia a casa para celebrar os cultos e, assim, os pontos de pregação iam aumentando, e congregações, nascendo. Algumas delas ainda em casas oferecidas pelos irmãos. Nas décadas de 1950 e 1960, as primeiras congregações foram construídas, localizadas nas Vilas Espigão, São Tomé, Encruzilhada e Panorama.

A população em geral tinha sede de ouvir a Palavra de Deus. Contudo algumas portas abriram-se para a pregação do Evangelho somente após Deus realizar maravilhas entre o povo, conforme ressalva o pastor Orides, que relata: Eu presenciei um milagre certa vez no Parque Índio Jari. Estávamos num culto lá e foi levado um paralítico numa cadeira de rodas. O Pb. Paulino dos Reis na hora da oração mandou-me descer lá. Quando terminou a oração, aquele cidadão que estava na cadeira, com o chapeuzinho no colo, levantou-se da cadeira. Saiu caminhando, ajudado por outros, porque estava muito fraquinho. Eu vi aquele homem levantar-se, com o chapeuzinho na mão. Deus havia curado ele. Esse foi o início do trabalho no Jari, talvez a quarta congregação, não me lembro bem.

No centro da cidade, o trabalho foi iniciado pelo pastor Ari Pacheco em 1957, a convite do pastor Nils Taranger, presidente da Assembleia de Deus de Porto Alegre. Nas vilas São Tomé, Encruzilhada e Espigão a obra de Deus já estava em franco desenvolvimento. A residência do pastor Ari Pacheco, então, na Rua Alcebíades Azeredo Nunes, 599, passou a ser também um ponto de pregação e, por muitos anos, a sede do trabalho no centro de Viamão. Muitos cultos foram celebrados, também, ao ar livre, embaixo da seringueira existente na praça central da cidade, com grande aceitação do público.

A partir do centro da cidade, as Boas Novas foram anunciadas para outros locais como Pedreiras, Morro Grande e Estiva, localidades de difícil acesso e carentes de transporte coletivo. Nos domingos havia horário único de ônibus, então os irmãos iam pela manhã e voltavam somente no final da tarde. Em outras localidades ainda mais isoladas, como Faxina e Granja Pimenta, quem possuísse charrete ou carroça, utilizava-se de tal meio de transporte para ir pregar o Evangelho.

Em vista do crescimento do trabalho, que se expandiu nas vilas, na zona rural e também no centro da cidade, surgiu a necessidade de estruturar administrativamente a Igreja como instituição. Então, em 22 de dezembro de 1973, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Viamão adquiriu personalidade jurídica própria, e nove anos mais tarde, em 06 de junho de 1982, foi alcançada a autonomia em relação à Igreja de Porto Alegre.

Setenta anos se passaram e a obra de Deus continua prosperando, visto que um semeia, outro rega, mas é o Senhor da Seara quem dá o crescimento. Debaixo da boa mão de Deus, a Assembleia de Deus de Viamão continua crescendo, numérica e espiritualmente, pois o Senhor Jesus Cristo, cabeça da Igreja, continua resgatando pessoas de todos os seguimentos sociais e de qualquer idade. E estes que são resgatados, Ele os capacita e os torna instrumentos para alcançar tantas outras vidas, dando crescimento ao reino de Deus na Terra.

Os planos traçados pelo maligno contra a Igreja continuam sendo frustrados, pois as armas espirituais são poderosas em Deus para anular sofismas e destruir fortalezas (II Coríntios 10.4). E elas continuam eficazes em qualquer época! E a verdade anunciada permanece a mesma: Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura os enfermos, liberta os cativos e, muito em breve, virá arrebatar a Igreja, a qual Ele redimiu com o próprio sangue.

Pesquisa e texto: Ademar Lindner
Bacharel em História – UFRGS