Demóstenes andava a passos rápidos, olhar sério, cabeça baixa, aspecto tristonho. Não falava e não sorria, apenas respondia a quem lhe interpelava, mas logo se ia antes que rissem ou zombassem dele, pois suas palavras eram incompreensíveis. Com muito esforço, algumas até soavam bem, entretanto, ninguém as ouvia. O riso da multidão sufocava o som de suas palavras. Mas afinal, quem não riria, pois um “tick nervoso” o fazia elevar o ombro esquerdo e baixá-lo a cada vez que falava, repentina e sucessivas vezes.

Diante de tais dificuldades, o que fazer? Fugir? Bom seria. Mas como viver a vida toda fugindo de si mesmo e se escondendo de seus próprios defeitos?

Afinal, desistir nunca fez parte de seus planos. Sua vocação para ser orador ardia-lhe em seu peito. E assim passou a andar Demóstenes: falando com a boca cheia de seixos. Ele passou a exercitar a dicção com a boca cheia de pedras. Pensou que se conseguisse pronunciar as palavras com a boca cheia de seixos, quando tirá-los da boca, então poderia falar normalmente. Para ele, falar com a boca cheia de pedras era um difícil sacrifício, porém era necessário.

E Demóstenes passou a falar cada dia melhor, no entanto, o seu “tick nervoso” ainda o fazia elevar e baixar, repentinas e sucessivas vezes, o ombro esquerdo sempre que falava. Então, tomou a decisão mais difícil de sua vida: em um galho de árvore, amarrou uma espada com a ponta virada para baixo, à altura de seu ombro. Sob essa espada, parava todos os dias, com o ombro esquerdo sob a ponta afiada. Ali pronunciava discursos inflamados à platéia ausente. Cada vez que seu “tick nervoso” manifestava-se, ao elevar o ombro, era ferido com a ponta da espada, que causava-lhe grande dor. Assim, não teve outra alternativa, senão educar-se a si mesmo e vencer aquele constrangedor movimento. E foi assim que, com tamanha determinação e vontade, Demóstenes venceu suas dificuldades e tornou-se o maior orador da Grécia, no período que compreende os 300 anos antes da era cirstã.

O exemplo de Demóstenes pode ser aplicado à nossa realidade espiritual, familiar e material. Quando Josué estava prestes a assumir o lugar do grande líder de Israel, a Moisés, o nosso Deus disse a Josué: “Tão somente esforça-te e tem bom ânimo” (Josué 1.7). Não temos informação se Josué, assim como Demóstenes, enfrentava dificuldades para falar ou se tinha algum “tick nervoso”, mas certamente possuía outras fraquezas e naturalmente, viu-se diante de grande dificuldade ante a missão que lhe era proposta. Seja como for, Deus sabia de todas as suas dificuldades e poderia transformá-lo; mas a única coisa que Deus fez foi cobrar o seu esforço.

Josué só logrou êxito em seu ministério porque fez a sua parte. E esse princípio divino não mudou, pois Deus ainda requer que esforcemo-nos e façamos a nossa parte.

A história da igreja tem demonstrado ao logo dos anos que Deus tem enriquecido a muitos com talentos; a outros tem dado dons e a outros tem dado um grande ministério. Todavia, alguns deles jamais desenvolveram o ministério que Deus lhes confiou. Na maioria das vezes, o motivo do fracasso desses crentes não está relacionado ao mundo espiritual, mas sim à sua própria falta de dedicação em vencer os seus próprios defeitos. E essa verdade também é aplicável à nossa vida familiar, à nossa vida profissional e à nossa vida material. Em muitos casos, Deus poderia nos curar, mas não o faz e não o fará. Ao contrário, espera que cada um faça a sua parte. Do resultado do nosso esforço e dedicação dependerá o sucesso de nosso ministério, de nossa vida familiar, de nossa vida profissional, de nossa vida com Deus e de tudo mais.

Assim andou Josué: esforçado e com bom ânimo. Assim andava Demóstenes: seixo na boca e espada no ombro. E você, como tem andado?

Pr. Marcos Mattos